Tem havido recomendação esporádica de uso de dentifrício não fluoretado para crianças pequenas tendo em vista a expectativa de que houve aumento de fluorose dental os últimos anos e que o dentifrício fluoretado é um dos fatores de risco. Entretanto, deve ser esclarecido:

  1. A criança que não usa dentifrício fluoretado nessa idade não estará recebendo os benefícios em termos de prevenção.
    Há evidencias mostrando que o grande benefício da escovação em termos de cárie dental é na verdade devido ao uso de Flúor, o que estaria sendo privado nessas crianças;
  2. Quando se discute dentifrício fluoretado como fator de risco de fluorose, que grau de fluorose está em debate? Trata-se de fluorose muito leve a qual não compromete o grau de satisfação das pessoas com seus dentes.
  3. Usando-se uma pequena quantidade (aproximadamente 0,3 g – um grão de arroz cru) de dentifrício de concentração de F convencional (1000-1100 ppm F), a quantidade de Flúor ingerida é segura em termos de fluorose dental, e o benefício anticárie é mantido.
    O uso do creme dental fluoretado deve ser recomendado como um procedimento preventivo básico. Como a ingestão de pasta dental com flúor carrega um risco aumentado de fluorose, este risco deve ser pesado em relação ao benefício da prevenção da cárie. Os pais/responsáveis devem ser instruídos pelo dentista quanto a necessidade do uso do creme dental de pendendo do risco de cárie e definir a frequência de escovação e quantidade de creme dental que não deve exceder o tamanho de um grão de arroz cru.
  4. Crianças que vivem em região de água otimamente fluoretada podem apresentar fluorose, nos
    graus muito leve e leve, mesmo que não usem dentifrício fluoretado. Portanto o uso de dentifrício não fluoretado não elimina o risco de a criança ter fluorose. Alta prevalência de fluorose ocorre nos dentes pré-molares e o efeito do íon flúor na fluorose ocorre antes da erupção, durante a maturação do esmalte. Na idade em que esses dentes estão sofrendo maturação, as crianças não ingerem involuntariamente grande quantidade de pasta toda vez que escovam os dentes porque já desenvolveram reflexo de cuspir. Também apresentam maior peso e,
    portanto, a mesma quantidade de fluoreto ingerida as submete a menor dose sistêmica.
  5. Orientar uma criança a usar uma pequena quantidade de pasta é um processo educativo como qualquer outro objetivando criar filhos que possam cuidar de si próprios no futuro. Dentifrício não é para ser comido.

Prof. Dr. Jaime Aparecido Cury – Professor Titular de Bioquímica, Faculdade de Odontologia
de Piracicaba (Unicamp)
Profª. Drª Lívia Maria Andaló Tenuta – Professora Assistente Doutora, Faculdade de Odontologia de
Piracicaba (Unicamp)
Dr. Paulo César B. Rédua – Presidente da abo-odontopediatria.

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