USO DE CHUPETAS – Meu filho pode usar chupeta?

A ABO não recomenda o uso de chupetas!

O uso de chupetas, também chamado hábito de sucção não nutritiva, é uma prática culturalmente aceita em algumas populações e, portanto é uma realidade da clínica odontopediátrica.

Após conhecer os benefícios e os malefícios do uso de chupeta, é importante que os pais/cuidadores façam uma reflexão sobre quando e como o seu bebê precisa ser acalmado(SBP)

A sucção não nutritiva geralmente está associada à necessidade de satisfação afetiva e de segurança, que pode ser atendida com a prática do aleitamento materno. Existem evidências científicas de que crianças amamentadas no peito por pelo menos seis meses estão menos propensas a desenvolverem hábitos de sucção não nutritiva, incluindo a sucção de chupetas que é o mais prevalente. No entanto, nos casos em que a amamentação natural não pode ser realizada ou mesmo quando aleitamento materno não é suficiente para satisfazer as necessidades de sucção da criança é possível que esta busque outras formas de sugar.

Atualmente, a chupeta tem sido desaconselhada pela possibilidade de interferir negativamente na duração do aleitamento materno, entre outros motivos. Crianças que chupam chupetas, em geral, são amamentadas com menos frequência, o que pode comprometer a produção de leite.

Até que idade ele pode fazer uso da chupeta?

 A Associação Brasileira de Odontopediatria1 e o Ministério da Saúde2 recomendam que a idade de 3 anos seja a época limite para a eliminação do uso de chupeta na vida da criança. Entretanto reconhecem que o ideal seria remover gradualmente e gentilmente este hábito até a idade de 2 anos, pois existe a chance de auto-correção de possíveis desarmonias nas arcadas dentárias, em conseqüência do mesmo. Esta remoção deve ser adequada ao amadurecimento emocional respeitando estes limites da criança.

O que o uso prolongado pode causar?

O hábito de sucção de chupeta pode promover força nos dentes e nas estruturas que os envolvem. A deformidade será maior ou menor dependendo da frequência (quantas vezes e quanto tempo a criança suga por dia), intensidade (força usada para sugar) e duração do hábito (quantos meses ou anos de sucção). Com isso, podem ser observadas alterações na conformação das arcadas (,mordida aberta e ou mordida cruzada ), alterações funcionais (respiração, fala, sucção e deglutição), alterações da musculatura orofacial.

Quais as condutas para minimizar a instalação de alterações nas arcadas dentárias?

Uma vez que o hábito de uso da chupeta já esteja instalado, seria melhor que seu uso seja restrito ao mínimo possível. É importante que os pais ou responsáveis fiquem atentos à demanda da criança, sem se antecipar a ela.
Tão logo esta necessidade seja satisfeita, a chupeta deve ser gentilmente removida. A Associação Brasileira de Odontopediatria, em sintonia com o Ministério da Saúde reconhece que uma forma importante de prevenção do uso prolongado da chupeta é o incentivo ao aleitamento materno feito com exclusividade nos seis primeiros meses de vida.  Recomenda-se orientação de um profissional especializado a fim de se obter as melhores orientações e  remoção do hábito.

Como eliminar este hábito?

Ressaltamos o uso de medidas não traumáticas para a remoção do hábito de sucção não nutritiva, uma vez que este hábito envolve questões emocionais. Isto exige a avaliação da forma e do momento oportuno para a remoção do hábito. Para tanto, a Associação Brasileira de Odontopediatria enfatiza a importância de que a consulta ao Odontopediatra se dê o mais cedo possível, ou seja, no primeiro ano de vida. Além de orientações importantes para a saúde bucal do bebê, os pais também receberão informações que irão ajuda-los no uso racional da chupeta e de como interromper este hábito até no máximo aos 36 meses de idade.


Como fazer a higienização das chupetas?

 As chupetas devem ser higienizadas diariamente. No entanto, a maneira como isso deve ser feito varia segundo o material utilizado para a confecção do acessório. Portanto, os responsáveis devem verificar na embalagem as orientações a serem seguidas para esta higienização. Outro ponto importante é que, de um modo geral, a troca da chupeta deve ser efetuada assim que sejam observados sinais de que o bico da chupeta está danificado.

Como escolher o tipo de chupeta?

 O bico do peito da mãe tem o potencial de adaptar-se à cavidade bucal do bebe, o que não acontece com o bico da chupeta ou de outros bicos.
Há evidencias de que o uso frequente de chupetas pode causar alterações funcionais e deformidades na região orofacial. Nenhuma chupeta corrige arcadas dentárias, portanto não seria adequado a utilização do nome “chupeta ortodôntica”. A Associação Brasileira de Odontopediatria em conformidade com a OMS e com a Associação Brasileira de Pediatria não recomendam o uso da chupeta.  Mas, caso seu filho já tenha o hábito de usa-la, algumas considerações são importantes.

A chupeta deve ser livre de dispositivos que possibilitem pendurá-la na roupa. A simples pressão da argola ou da fita ou “paninhos” pelo peso extra podem alterar ainda mais as arcadas do bebê e da e musculatura orofacial, pois a criança precisa fazer mais esforço muscular (para frente e para baixo) para mantê-la em posição.
O escudo labial da chupeta deve ser côncavo segurando os lábios em posição e apresentar orifícios de respiração que evitam a assadura dos lábios pela saliva.
Também é importante que o bico seja muito macio e tenha um formato que permita que a criança, ao abocanhar a chupeta, possa fechar ao máximo a boca. A chupeta deve ser extremamente leve e de material resistente para que nenhuma de suas partes se desprenda do conjunto. O material que melhor permite resistência e a higiene é o silicone.

Os Odontopediatras não recomendam o uso de chupetas, recomendam e apóiam o Aleitamento Materno!
Dra, Adriana Mazzoni
Dra, Silvia Chedid

Referências bibliográficas consultadas:

  1. http://www.who.int/nutrition/publications/guidelines/breastfeeding-facilities-maternity-newborn/en/
  2. http://portalms.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-da-crianca/aleitamento-materno
  3. http://dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca.php?conteudo=publicacoes/cab33
  4. http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Aleitamento-_Chupeta_em_Criancas_Amamentadas.pdf
  5. Serra-Negra JC, Dadalto ECV. Hábitos bucais deletérios. In: Associação

Brasileira de Odontopediatria. Manual de Referências para Procedimentos Clínicos em Odontopediatria, 2009. p. 394-9. www.abodontopediatria.org.br

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